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quarta-feira, fevereiro 22

O sabor do CARNAVAL




Qual o gosto que fica,
na boca da mulher solteira
quando termina o Carnaval
e acaba a brincadeira
Doce, amargo ou azedo?
Depende do que provou.
Se foi paixão que rolou,
um gosto doce ficou.
Se nunhum romance surgiu,
é o amargo que sentiu.

E se um grande amor pintou,
lá no meio da avenida,
mas ele bebeu, exagerou,
em tudo extrapolou,
eu imagino, querida,
que um gosto azedo ficou.

Mas não precisa esperar
pelo próximo Carnaval.
Talvez amanhã tenha sorte,
desilusão não é morte,
ainda resta a esperança,
de encontrar no dia a dia,
alguém que te traga a alegria
de um grande amor, afinal.

Eu, que passei dos 50,
fui uma privilegiada,
pois no fim daquela festa,
um gosto tão doce ficou,
que nunca provei mais nada.

Claro que em certos dias
a coisa é azeda e amarga,
mas depois volta ao normal.
Pois acredite, minha amiga,
a vida não é só Carnaval.

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

domingo, fevereiro 19

ASSUNTO DE PESO

 





Em uma única página do Jornal O SUL do dia 17 de fevereiro, encontrei essas três manchetes:
"DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA DE GORDINHA VAI PARAR NA JUSTIÇA" - uma funcionária do Vigilantes do Peso passou de 74 para 93,8 quilos durante os 15 anos em que trabalhou lá.
"MULHER PERDE PESO APÓS FICAR ENTALADA" - foi na banheira de sua casa, quando pesava 145 quilos; quatro anos depois, ela comemora seu novo corpo, de 58 quilos.
"O HOMEM MAIS GORDO DO MUNDO" - um britânico, de 42 anos e 368 quilos, que come 8 cachorros-quentes apenas no café da manhã, é o novo detentor desse título, após desbancar o mexicano que chegou a pesar 600 quilos, mas que agora tem menos de 240.
Três "notícias de peso", que me deixaram com a "consciência pesada".
Fiquei, então, "sopesando" o assunto.
Toda mulher diz que precisa perder 5 quilos, independente do peso que tenha.
Mas eu nunca digo isso.
Não preciso perder 5 quilos.
Preciso perder 15!
Em novembro de 2010, fiquei 10 dias num spa em Itapema/SC.
Numa rotina diária que envolvia duas caminhadas de 1 hora, 1 aula de hidroginástica, 1 aula de aeróbica, muitas massagens e tratamentos, e o consumo de apenas 780 calorias (o que é pouco mais que alface, pepino e água), consegui perder míseros 5 quilinhos.
E, pasmem, do grupo que estava lá naqueles dias fui a campeã em perda de peso. Ganhei até uma faixa!
Seis meses depois, aqueles 5 quilos já estavam de volta, pelo corpo todo, mas com uma sinistra preferência pela área da cintura.
Desolação total!
Nunca tive grandes atritos com a balança na minha vida... até a menopausa.
Desde então, nossa relação degringolou.
"Piso" nela todo o dia pela manhã. Ela, desaforada, só me dá más notícias.
Mas para 2012, estou cheia de propósitos.
Ei, você viu como é? Nem as palavras colaboram.
"Cheia de propósitos"... Devia dizer "fininha de propósitos".
Havia até cogitado entrar no Vigilantes do Peso.
Mas agora, sabendo que a funcionária foi demitida por engordar 20 quilos em 15 anos...
Ora, isso aí eu consigo sozinha, e sem qualquer sacrifício!
Quanto ao caso da mulher "entalada"... bem, esse risco, pelo menos, eu não corro.
Mas é só porque não tenho uma banheira!
E se passei dos 50, mas continuo gostando de cachorro-quente feito criança, tenho que "tomar" uma providência, e com a máxima urgência:
- Então, sai aí um cafezinho... com adoçante?

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.
 

sábado, fevereiro 18

CARNAVAL



Tanto riso, oh quanta alegria
(E tantas lágrimas derramadas)
Mais de mil palhaços no salão
(Centenas de pessoas morrendo.)
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
(Pais, filhos e irmãos chorando a perda de seus amores,)
No meio da multidão
(Nas estradas superlotadas.)

Foi bom te ver outra vez
(Vai ser tão bom te rever!)
Tá fazendo um ano
(Faz tão poucos dias,)
Foi no carnaval que passou
(Te vi na última sexta.)
Eu sou aquele Pierrô
(Sou aquela que te ama,)
Que te abraçou
(Que te abraça,)
E te beijou, meu amor
(Que te beija, meu amor.)

A mesma máscara negra
(A mesma cara de felicidade,)
Que esconde o teu rosto
(Que estampavas na tua ida,)
Eu quero matar a saudade
(E da qual já tenho saudade,)
Vou beijar-te agora
(Vou beijar na tua volta,)
Não me leve a mal
(Quando chegar ao final)
Hoje é carnaval
O "feriadão de carnaval".)

...\0/...(0)...\0/...(0)...

É "na tela da TV"
que curto meu carnaval.
Já não dá mais pra brincar
"no meio desse povo",
porque passei dos 50,
minha perna não aguenta,
e a coluna... se arrebenta!

Mas se "a festa é na avenida",
só fico "de bem com a vida",
na próxima quarta-feira,
com toda a galera de volta.

Daí, então, danço e canto
- deixo o samba me levar -
que "eu tô que tô legal",
porque... ufa... graças a Deus,
passamos mais um carnaval!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

quarta-feira, fevereiro 15

Era um menino lindo...




Era um menino lindo,
Que naquele pátio entrou.
Queria apenas brincar,
Mas o cão feroz o encontrou.
Não deu tempo para nada.
E nada, nem ninguém, o salvou.

Era um menino bonito,
Que naquele pátio entrou.
Dele só se ouviu o grito.
O cão feroz ninguém segurou.
De tão pequeno, tão frágil,
Seu sangue no chão derramou.

Era um menino doce,
Que naquele pátio entrou.
Tinha toda a vida pela frente.
Mas o cão feroz o encontrou.
Agora ele foi embora.
Sua brincadeira, aqui, acabou.

Apenas um menino inocente,
Que naquele pátio entrou.
Eu não conhecia o menino,
Até que alguém me falou.

E se já passei dos 50,
Vi e vivi tanta coisa,
De nada isso me adianta,
Uma dor parecida voltou,
Assim como um nó na garganta.

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.


UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA



O menino queria apenas brincar. Mas o cão não entendeu.
De um lado, a inocência do menino. Do outro, a ferocidade do cão.
Morreu o menino. Sacrificado foi o cão.
Tragédia anunciada?
Sim, apenas mais uma.
E o que fica, de fato, ao fim e ao cabo de tudo?

Ao contrário do coração do menino, o da jovem mãe ainda bate no peito. Tem mais dois filhos pequenos para criar.
Mas ela nunca mais será a mesma.
Disso eu tenho certeza!

Minha mãe também perdeu sua filhinha numa tragédia.
Uma tragédia que os homens poderiam ter previsto, e principalmente evitado.
Uma TRAGÉDIA ANUNCIADA.

Aquela que ninguém quer, ninguém deseja, ninguém espera, mas que acontece.
É quando a negligência dos "responsáveis" se faz presente. Quando eles não tomam os devidos cuidados. Quando não providenciam o mais básico, o essencial.
Como aconteceu no caso do cão feroz, uma "mistura de pitbull com rottweiler".

Ora, um cão é um cão. Não raciocina. Age por instinto. Pode parecer manso, e agir como tal, até o dia em que o gene da ferocidade das raças combinadas se manifesta.
Ninguém pode "prever" esse dia. Por isso, seu dono precisa se "precaver". Prever até o imprevisível. Assim como quem guarda um revólver em sua casa.

Minha mãe também tinha outros filhos. E foi por eles que continuou vivendo.
Mas ela nunca mais foi a mesma.
Viveu apenas pela metade, e com um sentimento eterno de culpa.
"Por que não fiz isso, por que não fiz aquilo..."
"Por que, meu Deus, por quê?"
Um martelar incessante, torturante, levado para a eternidade.
Mas a culpa não foi da minha mãe.
Ela só foi comprar o pão, e levou consigo sua filhinha. E o fez com todo o cuidado, com todo o zelo. Não podia, ela, prever o que era a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e imprevisível!

Assim como a culpa também não foi da mãe daquele menino. Ela estava trabalhando, e não tinha a opção de estar lá - onde gostaria de estar - junto do seu filhinho.

Eu já passei dos 50, mas jamais vou esquecer daquele dia, há quase 40 anos, em que minha mãe saiu à rua levando com ela sua menina de 1 aninho, que tinha o nome e a beleza de uma princesa - Grace.
Eu estava na escola, e fui chamada às pressas para casa. Quando cheguei, encontrei minha mãe já sozinha. Ferida no corpo e, pior do que isso, profunda e irremediavelmente dilacerada na alma.

Houve processos judiciais, que resultaram na absolvição penal do operário e na condenação civil dos poderosos. Houve, também, o posterior "sumiço" do processo de responsabilidade civil do cartório. O que impediu, pelo menos aqui na Terra, que se fizesse a "tal da Justiça". Mas essa, é uma outra história...

No caso do menino e do cão, de nada importa o que virá depois. Culpa ou dolo, condenação... ou não.
O que fica, de real, de concreto, é uma outra mãe dilacerada, que passa a viver somente pela metade.
Porque aquela sua "outra metade" - que queria apenas brincar - já não vive mais.

E a única coisa que pode trazer algum consolo ao coração dessa jovem mãe é pensar que o seu menino de 5 anos, que tinha o nome e a beleza de um rei - Gustavo - pode agora brincar em paz!


Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

Ao som de ENYA



Outro dia compartilhei alguns vídeos no Face. Um deles da irlandesa - e também cinquentona -Eithne Ní Bhraonáin, ou "Enya", como é mais conhecida.
Meu comentário na postagem foi o seguinte: "Para Ricardo, que gostava de Enya, mas amava Leila. Onde quer que vocês estejam agora...".
Algumas horas depois, viajei no tempo, e voltei a um dia muito específico, do qual jamais vou esquecer.
Tínhamos ido a Gramado visitar meu pai e sua segunda esposa, Gilda, por quem tenho uma gratidão eterna pelo cuidado que dedicou a ele até o fim.
Ele já estava muito doente, e sabia que, mais dia menos dia, o ar iria faltar.
Em virtude de um enfisema pulmonar crônico, muito severo - um presentinho do seu "Companheiro Maldito", também conhecido por "Cigarro" - ele dependia de uma máquina de oxigênio 24 horas por dia, e só levantava da cama para as necessidades mais básicas.
Meu pai sempre contava que começou a fumar muito cedo. Tanto que seu apelido era "Polaco Fumador".
Logo no início da visita, ele chamou ao seu quarto minha irmã Dilana e eu, para uma conversa em particular.
Senti que o pai estava diferente naquele dia. Um pouco mais triste, um pouco mais sério, mas, ao mesmo tempo, tranquilo.
Assim que ficamos a sós, ele começou a falar de morte, da sua própria morte, e dos procedimentos imediatamente seguintes a ela.
Primeira providência: ele queria ser cremado.
Já havia se informado sobre o assunto, e nos passou todos os detalhes.
Tentei encerrar aquela conversa mórbida. Mas ele insistiu.
Finalizada sua breve explanação, perguntei:
- Tá, e depois, o que fazer com as tuas cinzas? (só quem passou por uma situação dessas pode saber como me senti naquele momento, de modo que não vou nem tentar explicar).
Ele respondeu, com essas exatas palavras:
- Olha, não quero minhas cinzas aqui em Gramado. Odeio esta cidade fria e úmida, cheia de velhos caquéticos andando por aí! (meu pai detestava o frio, e dizia que aquela era a cidade com "mais velhos por metro quadrado do mundo!").
- Novo Hamburgo já não me diz muita coisa, pois meus pais já morreram há tanto tempo (meus avós estão enterrados lá, e imaginei que ele quisesse ficar junto deles).
- Porto Alegre, então, nem pensar! Nem sei como vocês conseguem viver naquela loucura! (ele nunca gostou de Porto Alegre).
Nesse ponto, ele parou de falar, e instalou-se um profundo silêncio naquele quarto.
Mesmo com a voz embargada, a ponto de chorar, consegui perguntar:
- Onde, então? Em Lajeado? (é onde está enterrada minha mãe, num daqueles túmulos duplos, de casal, um ao lado do outro).
E ele, prontamente, respondeu:
- Ah, isso me serve!
E foi só o que ele disse.
E era só o que precisávamos ouvir.
E, então, mudamos totalmente de assunto.
Passado mais algum tempo, meu pai pediu ao meu irmão Ricardo - que para mim sempre foi o "Mano" - que suas cinzas fossem levadas ao túmulo ao som de Enya.
Assim ele pediu.
E exatamente assim nós fizemos.
Depois da sua morte, das honras fúnebres prestadas em Gramado pelos familiares e amigos, e da cremação em São Leopoldo, cumprimos o prometido.
Foi uma homenagem muito simples.
Éramos somente seus 4 filhos, e mais ninguém.
Relembramos algumas histórias do "Velho Buk" - como nós o chamávamos - e até rimos de algumas delas, porque meu pai foi, realmente, uma figura!
E depois choramos.
Tudo isso ao som de Enya.
Além de cumprir sua última vontade, fizemos uma coisa que ele não havia pedido, mas que com certeza deve ter gostado.
Entre o túmulo da minha mãe e o dele, mandamos gravar a passagem bíblica que ele repetira um sem-número de vezes: "O que Deus uniu não o separe o homem." (Mc 10,9).
Meu pai afirmou até o último dia de sua vida que nunca deixou de amar Leila. Jamais se conformou com a separação.
Minha mãe, por sua vez, não ficou mais feliz depois dela.
Eu, que já passei dos 50, ainda nem superei a primeira separação deles.
O que dizer, então, da última, da derradeira, daquela que é definitiva?
E embora tenham se passado mais de 10 anos da morte do meu pai, toda vez que eu ouço Enya...

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

sexta-feira, fevereiro 10

O SKATE e a BENGALA


Qual a diferença entre o skate e a bengala?
No skate, a queda é praticamente inevitável.
Com a bengala, a ideia é evitar a queda a todo o custo.
O que separa o uso de um e de outro é o TEMPO.
Do tempo de criança ao tempo da idade avançada.
E também o MEDO.
A criança encara o skate sem medo da queda.
Ela até pode cair, quebrar, mas o osso sara, reconstitui, volta ao normal.
Já a pessoa de idade avançada "morre de medo" da queda. Dependendo da gravidade, pode ser o seu fim.
Entre o skate e a bengala estou eu, que já passei dos 50.

Quando eu era criança, não existia skate, pelo menos que eu soubesse. Assim, fiquei protegida das quedas.
E quando a idade avançada chegar, igualmente estarei segura, pois além das antigas bengalas, existirá uma parafernália tão grande para me amparar - andador, cadeira de rodas, carrinho elétrico, esses que circulam nos corredores dos shoppings, e até máquina de voar, pois em 2012 estão lançando o "JetPack", uma mochila voadora que funciona com hélices que sopram o ar rápido o suficiente para tirar o piloto do chão, e que no voo de teste chegou a 1500 metros do solo.

Assim, de um jeito ou de outro, você vai me encontrar circulando nos shoppings da cidade, pelos cafés, cinemas e livrarias.
Porque a passagem do TEMPO é inevitável, assim como a queda no skate.
Mas o MEDO, esse eu vou evitar a todo o custo, nem que seja a bengaladas!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen

quarta-feira, fevereiro 8

FAR WEST ou Faroeste


Minha mãe adorava ler. Aprendi a gostar da leitura imitando ela e o meu pai, pois ambos tinham esse hábito. Os gêneros preferidos de cada um eram bem diferentes. Meu pai fazia suas incursões na filosofia, religião e esoterismo. Já minha mãe gostava de Agatha Christie e seus assassinatos misteriosos. Ela leu a obra completa da "Rainha do Crime", como também era chamada a escritora. E quase sempre adivinhava o criminoso antes mesmo de chegar ao final do livro.
Ela também apreciava romances, tanto os mais elaborados, como os da Janet Dailey e Barbara Cartland, quanto esses vendidos em banca de revista, do tipo Sabrina, Bianca e Júlia.
Outra grande paixão da minha mãe, pelo menos enquanto eu era criança, foram aqueles livrinhos de bolso de Bang-Bang, Far West ou Faroeste, como você preferir. Ela chegou a ter uma coleção deles ocupando praticamente toda a estante da sala lá de casa.
Eu achava muito estranho ela gostar desse gênero literário. Não era o que as mães das minhas amigas liam. Cheguei a sentir um pouco de vergonha dela por causa disso, coisa bem típica das crianças que, em certas idades, ficam observando e julgando seus pais por critérios que só elas entendem.
Minha mãe, literalmente, "viajava" com sua leitura, transportando-se para os desertos do Oeste Americano, onde batalhas sangrentas eram travadas pela posse das terras, tendo os colonizadores brancos e suas armas de fogo de um lado, e os índios com seus arcos e flechas do outro, tudo isso num contexto histórico em que a "honra" era mais importante do que as "leis".
Puxa, acabei de lembrar que nos anos 60 a calça jeans era chamada de "FAR-WEST". Isso porque em 1956 a Alpargatas lançou uma calça com esse nome, feita com um tecido azulão grosso, o BRIM CORINGA. Era o "jeans" brasileiro que existiu, aqui, muito antes do americano da marca LEVI'S. Nos anos 50, o uso da calça de brim era uma exclusividade dos homens. As mulheres só começaram a usá-la nos anos 60. É o que li na Internet.
Bem, mas voltando ao tiroteio.
Por que será que minha mãe gostava tanto das histórias de Faroeste?
Não cheguei a perguntar isso a ela.
Agora, não tenho mais como saber.

Eu já passei dos 50, e nunca li um livro desses.
Qualquer dia, vou fazer isso!
Quem sabe, assim, eu consiga descobrir esse "mistério" da Dona Leila, uma mulher que lia muito, mas falava tão pouco...

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

terça-feira, fevereiro 7

ESTRADA VAZIA



Para onde ela vai,
Nessa estrada vazia?
Solitária, nada leva,
Parece que vai voltar.
Mas se muito tempo passar,
Não lembrará do caminho.
Vai se perder pelo mundo,
Procurando por carinho.
E eu, bem aqui, esperando,
Com meu amor tão profundo,
Dar um abraço apertado,
Dizer que me faz tanta falta,
E que só quero um pouquinho,
Do que foi buscar não sei onde.
Num outro mundo, talvez,
Numa outra dimensão,
Duas que foram tão cedo,
Sem sequer se despedirem.
E eu, aqui, a te pedir,
Um pouco do que sobrou.
É difícil, eu sei que é.
Uma dor assim profunda,
Que corta ao meio a pessoa,
Que mata, mas deixa viver,
Pra terminar de criar
Aqueles que aqui ficaram.
Até não mais aguentar,
E pegar de vez a estrada,
Que leva pro outro lado.
O lado das outras duas,
Que igualmente eram tuas,
Mas que não puderam ficar.
Vai em paz, eu compreendo.
Sei o quanto estás sofrendo,
E não vou te segurar.
E como passei dos 50,
De longe vou avistando
Aquela estrada vazia.
Devendo me preparar,
Pra viagem solitária,
Para a qual nada se leva,
Porque dela não se volta.
E o que fica é a alegria,
E a eterna lembrança de amar.

Para minha amada mãe Leila, para a outra Leila, também Christina, como eu, e para a Grace, tão linda quanto a princesa.

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

segunda-feira, fevereiro 6

CRESCER


Quando eu era pequena,
Queria CRESCER depressa.
Olhava a mãe se arrumando,
Ficava tão encantada!
Unhas e boca pintada,
E eu, ao seu lado, sonhando...

Usava vestido bonito,
Sempre com anágua rendada.
E também saia rodada,
Com blusa decote em "V".
Meia de nylon, salto alto,
E no cabelo, laquê!

E quando ia na festa,
Maquiagem caprichada!
Perfume no pulso e pescoço,
Tudo simples, mas com gosto.
Ela ficava tão linda!
Para mim, como uma fada!

Mas não foi assim pra sempre.
Depois, o quadro mudou.
Raramente se arrumava.
E, então, com mais idade,
Só a maquiagem restou
Como "saldo" de sua vaidade.

E eu comecei a pensar,
Se era melhor ser adulta.
Talvez o bom mesmo seria,
Criança permanecer.
Mas, aí, não tem mais jeito,
O TEMPO não quer saber!

E mais dia, menos dia,
Você acorda pra ver,
Que ele de fato voou.
E eu que passei dos 50,
Agora tenho a certeza,
Que o melhor é NÃO CRESCER!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

SEM MAQUIAGEM EU NÃO SAIO!


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Cada mulher tem alguma coisa de que não abre mão quando se arruma para sair. Tem aquelas que valorizam a roupa, que deve ser de grife e a última tendência da moda. Outras, preferem marcar seu estilo com o sapato e a bolsa. Para mim, maquiagem e perfume são os itens indispensáveis. Não desço nem ao térreo do edifício para buscar uma tele se não estiver maquiada.
Não lembro da última vez que saí à rua sem maquiagem. Do perfume eu até abri mão algumas raras vezes. Mas da maquiagem, nunca! Admiro as mulheres que saem de "cara lavada". Eu, simplesmente, não consigo! Pode fazer o calor do cão que fizer, não adianta, só saio depois de passar uma demão de massa corrida, mesmo que seja para ela derreter antes de eu chegar à esquina!
E não é tanto pelas rugas porque, considerando a minha idade, até que ainda estou no lucro. É por causa das manchas! Aquelas marcas bandidas que ficaram de herança do sol em excesso e das espinhas da adolescência... e que voltaram com tudo na menopausa!
A propósito, outro dia lembrei de uma loucura que fiz lá pelos 16 anos. Li em algum lugar que Creolina "secava" as espinhas. Deve ter sido coisa de um daqueles almanaques distribuídos gratuitamente nos mercadinhos, com dicas e receitas mirabolantes!
Preciso fazer, aqui, um parêntese: sou do tempo em que as gurias usavam na praia do Pinhal, como bronzeador, uma mistura de Óleo Johnson e Iodo, num verdadeiro ato de insanidade! Lembro de uma prima, de pele muito branca, que foi parar no Pronto-Socorro com bolhas enormes na barriga por causa disso.
Outra coisa que a gente usava era uma mistura de Creme Nívea, Hipoglós e Arovit. Passávamos essa pasta gordurosa no rosto na esperança de conseguir uma pele mais bonita. Opção de quem não tinha dinheiro para comprar um bom creme - o meu caso, portanto.
Mas, voltando à história da Creolina. Todos sabem que se trata de uma substância bactericida, desinfetante, superforte, usada em limpezas pesadas, como de banheiros públicos, por exemplo. E eu, tentando "desinfetar" a pele, e secar minhas espinhas, apliquei-a PURA, em TODO O ROSTO! E deixei secando, secando... Logo de início, senti uma certa ardência. Mas sabe como é, todo o sacrifício seria válido para me livrar daquelas erupções asquerosas. Passado algum tempo, enxaguei meu rosto várias vezes. Só que a pele continuou ardendo... E da sensação de ardência, passou para a queimação...
Resultado: consegui uma baita queimadura de pele! Fiquei com a cara completamente vermelha, parecia uma índia! E durante vários dias tive que disfarçar aquela aparência bizarra com uma grossa camada de base líquida e pó compacto.
Passado o susto, e depois de uma escamação completa, eis que surge, de baixo da epiderme, uma pele novinha em folha! Um verdadeiro "peeling acidental".
ATENÇÃO: asneiras como essa não devem ser repetidas por ninguém!
Puxa, lá se vão mais de 35 anos... Que horror! Parece que foi ontem...
Enfim, voltando à questão do uso de maquiagem, e considerando que já passei dos 50, acredito que nunca vou conseguir sair sem colocar o indispensável: base, pó, blush, rímel, lápis, e baton, de preferência, vermelho.
E quando eu estiver com 99 anos, e você me encontrar perambulando pela rua de cara lavada, faça-me um grande favor:
- Pegue-me pela mão, leve-me pra casa, e CHAME UM MÉDICO, COM URGÊNCIA, que o caso deve ser grave!
 
Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

domingo, fevereiro 5

Os CHATOS DE PLANTÃO



Verão, feriadão, Capão...
Tudo é festa, então?
Nã, nã, ni, nã, NÃO!
Pelo menos no nosso condomínio, que tem a bagatela de 65 apartamentos, a coisa não é bem assim.
Alguns vizinhos estão lá para fazer um retiro espiritual, viver seu momento zen do ano, meditar profundamente sobre a vida... e encher o saco dos outros!
Estou muito p* da cara!
Tenho um filho de 21 anos. Já falei dele em outras postagens.
Gente, 21 anos é tudo de bom!
Quem não lembra dessa fase da vida com saudade?
As paixões, os amores, as festas, as farras, enfim, a alegria esfuziante da juventude!
Bom, pelo menos ao que parece, naquele Condomínio tem gente que não lembra mais dos seus 21 anos. Talvez passaram direto da infância para a idade adulta... Só pode ser isso!
Quem conhece meus filhos sabe que eles são pessoas educadas. Mas são jovens, e fazem coisas próprias de sua idade! Graças a Deus!
O de 21, que foi à praia na sexta, chamou uns amigos para um churrasco no sábado à noite, em pleno feriadão, a praia lotadíssima, bombando!
Eram somente 4 convidados - 3 amigos e a namorada de um deles. Com a TV ligada na transmissão do "Planeta", 2 deles no violão e o meu filho na percussão -- do meu balde de roupas -- fizeram uma zoeira até às 3h da madrugada.
Ele descumpriu a sagrada "Lei do Silêncio" do Condomínio? Sim, descumpriu!
Incomodou irremediavelmente os vizinhos? Sim, incomodou!
Mas isso aconteceu UMA ÚNICA VEZ NO ANO TODO!
Aliás, ele quase nunca vai a Capão, pois tem passado suas férias geralmente em Garopaba/SC, com os primos.
Ninguém foi capaz de bater na porta do apartamento e pedir à gurizada que desse uma maneirada! Podiam perfeitamente ter feito isso, pois meu filho, suficientemente educado para tanto, pediria desculpas e baixaria o volume do som.
MAS NÃO! Alguns "adoráveis" vizinhos - que imagino serem os tais dos "politicamente corretos" - foram correndo, na manhã de domingo, fazer veementes queixas à senhora Zeladora. E esta, muito prontamente - o que, diga-se de passagem, não acontece em relação a assuntos mais importantes - telefona imediatamente pra mim, que estou em Porto Alegre, para me "COMUNICAR" que "TODO O MUNDO" estava reclamando da "BATEÇÃO" que fizeram no apartamento durante "TODA A MADRUGADA"!
Sem saber o que tinha acontecido, encerrei o assunto com ela e tratei de ligar para o meu filho, que me relatou os fatos.
Como ultimamente "não ando muito boa" -- assim falava minha mãe -- depois foi a minha vez de telefonar para a "zelosa" Zeladora.
E, aí, SOLTEI OS CACHORROS!
Ora, façam-me o favor!!!
Já vi de tudo naquele Condomínio, e nunca reclamei de ninguém!
Aliás, até esta altura da vida, nunca reclamei de nada, nem de ninguém, nessas questões de condomínio, nem em Porto Alegre, muito menos em Capão!
Acho de última ficar reclamando!
Quer ter paz e sossego absoluto? Vá morar no meio do mato! Vida em condomínio envolve um sem número de situações desagradáveis, e isso é inevitável! São obras barulhentas, festas até altas horas, cães que latem sem parar, vizinhos que arrastam móveis, portas e janelas que batem, crianças que choram, que gritam, que berram, etc, etc, etc.
E eu... NÃO RECLAMO DE NADA! Afinal, tudo isso faz parte da vida!
E, se no passado, acabei relevando algumas coisas só para não me incomodar, agora que passei dos 50, especialmente quanto a assuntos de condomínio, vou avisar o seguinte:
- Tô dispensando a reclamação!
- Cobrem a multa prevista na Convenção!
E isso é pra vocês, seus CHATOS DE PLANTÃO!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

quinta-feira, fevereiro 2

DEPRESSÃO - O "Grande Cansaço"


Olha, vou te dizer uma coisa: eu até que luto bravamente. Não me entrego com facilidade.
Sou do signo de Capricórnio, que tem como símbolo a "cabra que sobe a montanha devagar... e sempre".
Mas, na escalada da vida, há momentos em que se atravessa no meu caminho o "Grande Cansaço
Ele é mais forte do que eu, e geralmente me abate. Agora mesmo, acabou de me jogar no chão!
E não é do "cansaço físico" que estou falando. Antes fosse! É daquele outro tipo... difícil de traduzir em palavras.

E, aí, você me pergunta: "- Mas, afinal, que está te faltando?"
E eu respondo... "- NADA!" "- TUDO!" "- NÃO SEI!"
Só sei que sinto um vazio, uma sensação ruim, um "sei lá o quê, entende?"

 E, então, não compreendo mais nada. Nada do que penso, é realmente. O bom, mesmo, é deixar de pensar por um tempo, para o prejuízo ser menor.

E também não quero fazer absolutamente NADA! Só tenho vontade de ficar quieta, parada... e esperar a coisa melhorar. Ficar ali, naquele exato ponto da montanha, sem dar mais um passo sequer. Baixar a cabeça, e olhar fixamente para o chão, tentando não despencar.
Além de não pensar, não quero falar, nem mesmo me mexer. Quero apenas chorar. E também dormir. Muito! Quem sabe quando acordar, a coisa tenha passado. É, tomara que tenha passado...
Enquanto não passa, não quero papo, não quero música, não quero filme, não quero nem mesmo os livros!

Já passei dos 50, e conheço muito bem o "Grande Cansaço". É um "velho conhecido" que tem me visitado cada vez com mais frequência. Ele nem precisa de convite. Vem quando quer. E quando menos espero.
Às vezes, finjo que não estou. Mas o danado não desiste, e fica batendo à minha porta, insistentemente.
E aí, eu abro! Ele entra, faz o que bem quer, e depois vai embora... satisfeito.
E se durante uma dessas "visitas" você resolver se aproximar, não espere muito de mim.
Dê-me todos os descontos da ocasião. Ou melhor : " - Volte amanhã!"
"Fechada por motivo de FORÇA MAIOR."

Mas, se ainda assim você vier, por sua própria conta e risco, chegue com cuidado,
e bem devagarinho...
NÃO DEPRESSA.

NÃO DÊ PRESSA.

É DEPRESSÃO.


Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.


segunda-feira, janeiro 30

MIOPIA


Os olhos do meu filho Eduardo são iguais aos meus: castanho-escuros, nem grandes nem pequenos, e ... míopes!
Há 21 anos, dei-lhe À LUZ com uma VISÃO PERFEITA.
Quis o tempo - e a genética - que aos 16 anos ele desenvolvesse o mesmo problema de visão que passei a ter com a mesma idade: a MIOPIA
"Miopia é o distúrbio visual que acarreta uma focalização da imagem antes desta chegar à retina. Uma pessoa míope consegue ver objetos próximos com nitidez, mas os distantes são visualizados como se estivessem embaçados (desfocados)" (Wikipédia).
Estive pensando...
Por que a visão de algumas pessoas vai encurtando... encurtando... até o ponto de enxergarem com nitidez somente aquilo que está mais perto?
Fui, então, pesquisar sobre o assunto na Internet, e encontrei um resumo do livro "Linguagem do Corpo", da psicóloga Cristina Cairo, Editora Mercuryo, que diz o seguinte:
"Miopia- Pessoas míopes não conseguem aceitar fatos e determinados acontecimentos que saiam fora do alcance de sua crença. Normalmente enxergam 'curto' quanto a determinados problemas e nunca reconhecem que são radicais em suas posições.
Discutir um assunto com elas requer tato e muita paciência, ou então aceite suas opiniões ainda que discordando delas.
Se você tem problemas de miopia, comece a reparar em seu comportamento perante um grupo de amigos e analise, sinceramente, suas atitudes e opiniões. O fato de parecer que estejam contra você não significa estarem errados. Podem estar tentando fazer você ver aquilo que não está enxergando.
A miopia manifesta-se em pessoas egocêntricas que não se importam com os outros ou não aceitam facilmente opiniões alheias. Na verdade são pessoas que possuem uma visão muito estreita do mundo e enxergam somente seus próprios problemas particulares e vêem apenas os aspectos imperfeitos das pessoas e coisas. Miopia é vista curta.
O importante é aumentar o seu campo de 'visão' da vida, começando a enxergar os problemas de pessoas que sempre estiveram ao seu lado mas que você nunca percebeu. Solte-se para a vida e veja como você pode crescer ainda mais ..."
Cruzes!!!
Será que sou tudo isso daí?
O pior é que realmente consegui me ENXERGAR, sob alguns aspectos, na tese desenvolvida por essa psicóloga.
Durante um bom tempo, fui muito "radical" em minhas posições, e não concordar comigo era mesmo "comprar uma briga".
Que o diga meu marido, que sempre teve uma paciência de Jó!
Por outro lado, não consigo ME VER como uma pessoa "egocêntrica", que não se importa com os outros.
Bem pelo contrário!
NA MINHA VISÃO, creio que me preocupei com algumas pessoas até mais do que devia, e agi como se SÓ EU ENXERGASSE o era bom para elas.
E querendo "dirigir" suas vidas, talvez eu as tenha prejudicado.
Eu e essa minha mania de bancar a "dona da verdade"!
Já passei dos 50 e, até agora, corrigi minha miopia por 3 vezes.
A primeira foi aos 28 anos, no tempo do "bisturi com ponta de diamante". Logo depois do procedimento, voltei à clínica e "teimei" que precisava de um retoque no olho esquerdo, pois queria uma VISÃO PERFEITA!
Pela minha insistência, o médico acabou fazendo o "retoque", e também a "minha vontade".
A última cirurgia que fiz foi há 3 anos. Dessa vez, sob o comando do Dr. NELSON BALESTRO JR., foi usado um equipamento a "laser", de última geração. Há poucos dias atrás, com uma máquina ainda mais moderna, de altíssima precisão, o mesmo profissional operou os olhos do meu filho.
Portanto, o Eduardo e eu devemos o fim da NOSSA MIOPIA a esse jovem médico que, além de extremamente competente, é dono de uma simpatia sem igual!
Agora, com meu CAMPO DE VISÃO aumentado, e VISUALIZANDO as coisas com MAIOR NITIDEZ, quero pedir PERDÃO a todos os meus amados, verdadeiras vítimas do meu JEITO MÍOPE de ser!
É o que me resta, já que não posso VOLTAR MEUS OLHOS PARA TRÁS e fazer tudo diferente.
Só fiz o que fiz imbuída de muito amor, e com as melhores intenções.
Mas, como diz o ditado, "De boas intenções...", você conhece o final!
A partir de hoje, com uma VISÃO MAIS ACURADA da vida, sei exatamente o que eu NÃO QUERO MAIS:
- Não quero mais ser míope!
- Não quero mais ser a dona da razão!
- Não quero mais dizer aos outros como devem viver!
Eu, literalmente, TIREI MEUS OLHOS de vocês, tô fazendo VISTA GROSSA.
Afinal, mal dou conta de VER o que é melhor pra mim!
E o problema, agora, é VISTA CANSADA.
Mas, aí, é outra história... e outro tipo cirurgia, que felizmente já existe, para a alegria da turma dos "enta".
E ao meu AMADO FILHO EDUARDO, um EX-MÍOPE, repito o conselho dado pela autora do livro:
"SOLTE-SE PARA A VIDA E VEJA COMO VOCÊ PODE CRESCER AINDA MAIS"!
E que TUA VISÃO alcance horizontes cada vez mais longínquos.
Que teus LINDOS OLHOS CASTANHOS te façam ENXERGAR a imensa beleza desse mundo.
Que teu OLHAR seja sempre repleto de AMOR e COMPAIXÃO.
E que VEJAS essa tua existência como uma grande oportunidade para SER FELIZ!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen

terça-feira, janeiro 24

Pais S-E-P-A-R-A-D-O-S // A-M-O-R dividido


Quem é filho/a de pais separados é expert numa coisa: amor dividido.
Eu sou, ou fui - não sei como digo isso, uma vez que "eles" já se foram desse mundo - filha de pais separados.
Por isso, entendo bem da matéria,
Quando o casal se separa, a dor maior sempre é a dos filhos.
Só não concorda comigo quem não provou desse fel.
Para os filhos, a pior parte da separação:
-ou ficam longe do pai, que eles amam;
-ou ficam longe da mãe, que eles amam.
Claro que assim foi pra mim, que já passei dos 50, pois hoje em dia tem a tal da "guarda compartilhada", sistema estabelecido pelos próprios pais - ou pela lei - em que a "criança" é dividida em dois: uma metade fica com a mãe, a outra com o pai.
No meu tempo, geralmente os filhos ficavam com a mãe, e o pai era então, literalmente, "separado".
Nem na nossa casa ele pisava mais.
Ou porque não queria, ou porque não podia.
Havia exceções, mas via de regra, a regra era clara:
o pai não saía do carro, e a visita dava-se "dentro" dele, para curiosidade dos vizinhos, e imensa vergonha dos filhos.
Sim, porque naquela época era uma "vergonha" ser filho/a de pais separados.
Era como ter um título protestado no cartório, só que a dívida nem era sua!
E aqueles amiguinhos sortudos, cujos pais viviam em paz e amor, olhavam pra gente com um misto de curiosidade e discriminação, como se fôssemos de outro planeta.
Meus pais "terminaram de se separar" quando eu tinha 17 anos.
Mas muito tempo antes, a coisa já vinha mal, e a cada dia degringolava mais. Meu pai saía de casa, para depois voltar, e sair novamente.
Desde os meus 7 anos, passei a viver um turbilhão de emoções em razão do "início do fim" do casamento deles: tristeza, raiva, vergonha, insegurança, e medo.
Lembro dos meus dias de infância com a seguinte estatística mensal:
- 2 dias de "paz e amor" (afinal de contas, eles tiveram 5 filhos depois de mim);
- 21 dias de um silêncio tão denso que podia ser cortado com faca;
- e 7 dias de brigas e discussões, tendo como resultado final a mãe "chorando na frente do fogão".
Isso para os meses de 30 dias.
Nos de 31, acrescente um dia de silêncio.
No de 28, desconte os 2 de "paz e amor".
Não sei se as crianças de hoje sentem a separação dos pais como antigamente.
Elas parecem tão mais "descoladas"!
Mas... será que são mesmo?
Ou continuam disfarçando bem?
Para mim, a dor que elas sentem é exatamente a mesma.
Sem falar daqueles pais separados que têm uma nova união, e novos filhos dessa nova união.
Felizmente, desse vinagre eu não bebi.
Mesmo antes da efetiva separação dos meus pais, eu já sentia, há muito tempo, aquele "cheiro de separação" no ar.
E aquilo me angustiava
diaapósdia,
dia após dia,
dia ... após ... dia.
Para os filhos - de hoje, ontem e sempre - pai e mãe foram feitos "um para o outro", e não "para separar".
"O que Deus uniu - com o nascimento dos filhos - não o separe o homem!"
Mas, por favor, não me entendam mal!
Não estou aqui, de modo algum, a defender a manutenção de um casamento falido a qualquer custo.
Afinal, é direito de cada um buscar a sua felicidade.
Eu não gostaria de ver os meus filhos, no futuro, presos a um casamento infeliz, nem mesmo em razão dos meus futuros netos.
Mil vezes melhor - quando o amor acaba - é separar e tentar manter o melhor nível possível de convivência.
Quem sabe, até, uma boa amizade.
Isso atenua, em muito, a dor dos filhos.
Infelizmente, desse mel eu não provei.
Eu só estou, aqui, a lamentar a dura realidade dos pais s-e-p-a-r-a-d-o-s.
Aquilo que não estava nos planos na hora do "sim", mas que, às vezes, acaba acontecendo.
Eu só estou, aqui, a lamentar a realidade dolorosa dos filhos, e o seu a-m-o-r dividido.
Eu estou só, aqui, a chorar por mim mais uma vez...

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

domingo, janeiro 22

A Demência e o Amor



Assisti mais de uma vez, no Youtube, o vídeo "Deleuze e o Amor".
Nele, o renomado filósofo francês Gilles Deleuze, falecido em 04-11-95, aos 70 anos, diz o seguinte:
"E todos nós somos meio dementes. O verdadeiro charme das pessoas reside em quando elas perdem as estribeiras, quando não sabem muito bem em que ponto estão.... Mas se não captar a pequena marca de loucura de alguém não pode gostar deste alguém... É exatamente este lado que interessa. ... aliás, fico feliz em constatar que o ponto de demência de alguém seja a fonte do seu charme...".
As palavras do filósofo ficaram martelando na minha cabeça durante alguns dias.
E cheguei à conclusão de que ele está absolutamente certo.
As pessoas "meio malucas" são bem interessantes...eu diria, até, apaixonantes!
Puxa vida!
E eu na contramão da história, fazendo um baita esforço, a maior parte do tempo, para parecer o mais normal possível.
Gastei tanta energia nisso.
Que desperdício!
Ainda bem que a partir dos 45 eu fui me cansando.
E desde então, em doses homeopáticas, fui dando uma "surtada" aqui, outra acolá...
Também "perdi as estribeiras", "dei uma de louca", "saí da casinha", "pirei na batatinha", "viajei na maionese", "tive um treco", "pirei de vez", "endoideci" ...
Será que agora as pessoas vão, finalmente, descobrir o meu "verdadeiro charme"?
Tomara que o filósofo esteja certo!
Como já passei dos 50, e estou soltando todos os meus bichos, vou esperar ansiosamente pelos resultados.
Quero mais é que as pessoas identifiquem em mim a tal "marca de loucura" ... e gostem de mim.
Da mesma forma, vou procurar nelas o "ponto de demência" de que fala Deleuze.
...
 - Ei, você aí!
Chegue aqui, mais perto.
Aproxime-se mais um pouquinho.
Quero dar uma boa olhada em você.
Pois como disse Caetano Veloso em "Vaca Profana",

"De perto, ninguém é normal!"

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen

quinta-feira, janeiro 19

A Noiva-Cadáver


Escrevo? Ou não escrevo?
Escrevo? Ou não escrevo?
???
OK! Vou escrever.
Primeiramente, vamos à notícia:
"Tailandês casa com o cadáver de namorada morta em acidente" Em Bancoc, um tailandês casou com o cadáver de sua namorada, morta em um acidente de trânsito, para unir suas almas na eternidade, informou a imprensa local. O casamento de Chadil Deffy e sua namorada, Ann, aconteceu em 4 de janeiro na província de Surin, no noroeste do país, em cerimônia budista acompanhada por seus familiares e amigos. "Nosso amor foi algo muito grande, mas por lástima não podemos viajar ao passado e mudá-lo. A vida é curta, e hoje realizo meu desejo e agradeço a todos os que estão presentes", manifestou o namorado na lúgubre cerimônia. O jovem de 28 anos enviou um convite a todos seus conhecidos através de sua página no Facebook para o evento, que foi celebrado quatro dias depois do acidente, ocorrido na noite de réveillon. As imagens do casamento foram transmitidas pela televisão tailandesa, enquanto quase 30 mil pessoas as viram e comentaram através da página pessoal de Chadil. As fotos mostram a jovem na cama do hospital e depois vestida de noiva durante o casamento, enquanto Chadil colocava o anel em seu dedo e a beijava na mão e na testa. Para Chadil, o melhor presente de casamento será ver cumprido seu desejo de reencontrar a amada em sua próxima vida.
Ahh... o amor... imenso e intenso amor.
Esse sentimento que queima a gente por dentro.
Que chega a doer, de tão bom!
Penso nele como aquela frieira no pé que você coça por um bom tempo antes do banho, sentindo um grande prazer.
Mas depois, vai para baixo do chuveiro, abre a torneira, e aí... arde... dói demais!!!
Amor.. sublime amor.
Que faz a pessoa "matar e morrer" em seu nome.
E quando mata, e quando morre, não sente nenhuma culpa.
Sentimento que move montanhas, atravessa rios e oceanos, que é cego, faz perder a cabeça, não mede esforços, infinito enquanto dura, e que quando vai embora, deixa as pessoas enlouquecidas... de amor!
"Um homem apaixonado que se casa com a noiva morta".
Que coisa mais linda isso!!! 
Gostaria muito de ter estado lá, para ouvir esse verdadeiro "Ode ao Amor Eterno", composto por dois tamantes separados no físico, mas cujas almas seguem juntas pela eternidade.
Por ser budista, o noivo acredita na reencarnação, em vidas sucessivas.
Então, movido por sua fé, quis firmar seu compromisso com a mulher amada mesmo que do seu corpo - "Vestido de Noiva" - o sopro da vida já se escapara há quatro dias.
Você está achando esse assunto mórbido?
Eu não acho!
Para mim, que passei dos 50, e sou "das antigas", mórbido é o tratamento "descartável" que tem sido dado ao amor.
Ama-se num dia, e no outro, sem fazer nenhum esforço em contrário, deixa-se de amar... com toda a naturalidade.
Para os jovens tailandeses, "O que uniu o amor, nem mesmo a morte separou".
O único risco que corre o apaixonado noivo é de, assim como o personagem Victor Van Dorst, na animação "A Noiva-Cadáver", de Tim Burton, descer na noite de núpcias à "Terra dos Mortos", e constatar que a vida lá é bem mais divertida que a daqui.
Mas, nesse caso, ninguém poderá dizer que eles não foram
"FELIZES PARA SEMPRE"!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

TITANIC E COSTA CONCORDIA




Quem me conhece um pouco mais abaixo da linha de superfície, sabe que adoro mergulhar nas águas profundas das ciências ditas "ocultas".
Já li sobre praticamente tudo:
Astrologia, Tarô, Numerologia, Cabala, Quiromancia, Geomancia, Radiestesia, Rosa-Cruz, Gnosticismo, Projeciologia, Thelema, Runas, I Ching, Magia, etc, etc, etc.
Esses e tantos outros assuntos sempre me fascinaram, desde criança.
Quando soube que um gigantesco navio de luxo naufragara na região da Toscana - Itália, imediatamente lembrei de Francisco Valdomiro Lorenz, e seu "Horóscopo Cabalístico".
František Lorenz nasceu em Zbislav, antigo Império Austro-Húngaro (hoje República Theca), em 24 de dezembro de 1872, e morreu em Dom Feliciano, RS, no dia 24 de maio de 1957.
Francisco Valdomiro Lorenz, ou simplesmente Francisco Lorenz, foi poliglota, filósofo e um dos primeiros esperantistas do mundo.
Capaz de comunicar-se em mais de cem idiomas, traduziu livros do sânscrito, hebraico, grego antigo, inglês, francês, italiano, chinês, japonês e árabe. Estudou o aramaico, o volapuque, o tupi-guarani, o maia e outros (fonte Wikipédia).
Conhecia, também, os princípios da homeopatia, com o que ajudava os moradores da pequena comunidade em que viveu.
Ele foi um homem realmente excepcional!
Sou fã de sua obra há muito tempo, e tive a grata satisfação de conhecer uma de suas netas quando, na saudosa creche Arco Íris Mágico, nossos filhos foram colegas.
Detentor de mediunidade de alta qualidade, Valdomiro Lorenz foi psicografado até pelo grande médium Chico Xavier.
Lembrei que na obra "Horóscopo Cabalístico", o Professor Lorenz fizera a análise tanto do nome "TITANIC" -- transatlântico construído para ser "o maior e mais luxuoso do mundo" e, ainda, "inafundável" -- quanto da data de sua fatídica viagem inaugural- 14 de abril de 1912.
Fazendo seus cálculos, ele aponta no livro os seguintes resultados:

TITANIC
ARCANO X - A ESFINGE
A Roda da Fortuna - o destino, a boa ou má sorte; elevação dos bons e humildes e queda dos orgulhosos.
A data 14-04-1912:
ARCANO XIII - O ESQUELETO COM A GADANHA
A destruição ou transformação, ambições desvanecidas, morte e imortalidade.
Ainda, calculada essa data de uma outra forma:
ARCANO XXII - O CROCODILO
Cegueira moral, loucura, sucessos seguidos de queda, e catástrofe final.
Procedi nos mesmos cálculos em relação ao naufrágio do COSTA CONCORDIA, e encontrei o que segue:

COSTA CONCORDIA

ARCANO XVI - A TORRE FULMINADA
Catástrofe, caos, queda, ruína, projetos fracassados.
A data 13-01-2012 (calculada das duas formas possíveis se obtém o mesmo resultado):
ARCANO X - A ESFINGE - idem ao nome "TITANIC".

Conclusão: tanto os "nomes" com que foram batizados, quanto às "datas" em que ocorreram as viagens, atraíram péssimas influências para ambos os navios.
O que diferencia as tragédias é o número de mortos e o comportamento diametralmente oposto dos seus comandantes.
No caso do TITANIC, o Capitão Edward J. Smith foi um dos últimos a saltar do navio... E nunca mais foi visto.
Morreram naquele acidente 1.523 pessoas.

Faço, aqui, um parênteses: na Exposição "TITANIC - Objetos reais, História reais" - montada em 2011 no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, achei curiosa a informação constante no painel que, muito resumidamente, falava sobre a vida do Capitão Edward J. Smith.
Segundo relatado, ele teria dito à esposa Sarah e à filha Hellen que "aquela seria sua última viagem". Depois dela... a aposentadoria.
Ironicamente falando, ele cumprira a sua promessa.

No caso do COSTA CONCORDIA, o Capitão Francesco Schetino foi um dos primeiros a chegar em terra, deixando para trás a maioria dos passageiros. Depois, foi preso sob suspeita de que teria usado álcool ou drogas na noite do naufrágio.
Até o momento, foram anunciadas 11 mortes, e 29 pessoas continuam desaparecidas.
Moral da história: não se fazem mais capitães de navios como antigamente!

De resto, o que se tem é que, levados em conta os conhecimentos cabalísticos do Professor Lorenz, ambos desastres tinham tudo para acontecer, mais dia ou menos dia.
Entretanto... tire você mesmo suas próprias conclusões!
...
Eu, que já passei dos 50, vou te falar uma coisa:
Não acredito em "tudo" o que leio.
Mas, por outro lado, não duvido "de nada"!!!

Como disse Hamlet,
"Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio,
do que pode sonhar tua vã filosofia."

          Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

terça-feira, janeiro 17

FELIZ POR TUDO


Hoje acordei feliz.
MUITO FELIZ!
E, logo a seguir, me preocupei.
Quais os motivos para esse ataque súbito de alegria?
Abri o jornal do dia - 17 de janeiro de 2012 - e dei de cara com as seguintes manchetes:
"Ainda há 29 desaparecidos após naufrágio na Itália, diz Guarda Costeira;
"Ministra da Comunicação Social retira câncer no seio";
"Banco Central Europeu diz que crise financeira é gravíssima";
"Irã anuncia que prendeu suspeitos de matar seu cientista nuclear";
"Fim de semana violento no RS somou 34 mortes, entre trânsito e assassinatos"; e por aí vai...
Então, com tantas coisas ruins acontecendo com as pessoas, com o país, e com o mundo, como posso estar feliz?
Talvez seja resultado da reposição hormonal bioidêntica, que comecei há pouco tempo, mas que já mostra seus resultados.
Ou, talvez, um sintoma de bipolaridade, coisa não rara na família.
Ou, ainda, esteja sob os efeitos do livro que li pouco antes do Natal, "Feliz por Nada", da Martha Medeiros, de quem sou fã de carteirinha.
Ainda, e na pior das hipóteses, seria essa a tal da "melhora da morte", aquele bem estar que sente o moribundo pouco antes do seu fim?
Simplesmente... não sei!
Só sei que me sinto a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e FELIZ!
É, no mínimo, curiosa essa minha preocupação, pois quando acordo triste, nem sempre vou buscar os motivos.
Aceito a tristeza como ela se apresenta, e espero ela passar.
Provavelmente, nem existam motivos, o que seria ainda pior.
Mas hoje, especialmente hoje, estou FELIZ POR TUDO:
Pela VIDA,
Pelos meus AMORES,
Pelas ALEGRIAS,
E também pelas DORES,
pois são elas que me fazem evoluir.
E, como já passei dos 50, pretendo usufruir cada instante desse "espasmo" de felicidade.
Afinal, nunca se sabe quando virá o próximo!

Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

segunda-feira, janeiro 16

Notívaga






 Quando aprendi o significado da palavra "notívaga", logo me identifiquei:
" - Essa sou eu!"
Notívago é alguém que tem seu pico de energia à noite, ao contrário da maioria das pessoas que têm nela seu período de descanso, inclusive com alterações no metabolismo, como redução dos batimentos cardíacos, diminuição da temperatura corporal, dentre outros.
Em Biologia, é a definição do comportamento observado em alguns animais que dormem de dia e tornam-se ativos à noite, como morcegos, anfíbios, felinos, e outros.
Tenho pra mim que não me "tornei" uma notívaga.
Eu já nasci assim!
E como passei dos 50, dificilmente vou mudar.
Desde muito pequena gostava de ficar acordada até tarde, especialmente para assistir "Além da Imaginação", seriado da TV americana que contava histórias sobrenaturais envolvendo viagens no tempo, mundos paralelos, alienígenas, fantasmas, vampiros, etc.
Eu acho bem legal acordar de madrugada, ver o sol nascer, ouvir os pássaros, tomar chimarrão, e tudo o mais.
Mas eu não consigo fazer isso!
Houve períodos da minha vida em que precisei acordar bem cedo.
Quando eu tinha 15 anos, por exemplo, mudamos para Lajeado, e fui trabalhar na empresa da família.
Todos os dias, meu tio passava na esquina de casa exatamente às 7:20h da manhã, para me dar uma carona.
Certa vez, quando fui esperá-lo no local combinado, achei tudo muito diferente.
As pessoas que transitavam pela rua não eram as mesmas de sempre.
E a cidade estava tão silenciosa...
Seria feriado municipal, e eu não sabia?
Teria morrido o Prefeito, ou o Presidente da República?
É que naquela época as notícias não chegavam tão rápido como hoje.
Sem relógio, e preocupada com o "atraso" do meu tio, resolvi perguntar as horas a um homem que passava.
Eram 6:30h da manhã!
Meu despertador estava 1 hora adiantado!
Durante a faculdade, a madrugada servia para estudar. E, também, para namorar. Como trabalhava o dia todo, e cursava a faculdade à noite, só restava aquele tempo para viver algumas emoções.
No nascimento dos filhos, não temi as tão propagadas "noites sem dormir". Eu as tiraria de letra! E nem foi o caso, porque os meus guris nunca me "deram um baile".
Quando trabalhava - e precisava acordar cedo - lá pelas tantas eu me "obrigava" a ir pra cama, ou não levantaria pela manhã "nem com banda"!
Veio a menopausa, e com ela a insônia, que faz parte do pacote. A coisa complicou ainda mais. A hora de deitar passou das 2h para às 3h, 4h da madrugada, e às 7h, mais tardar às 8h, tinha que estar em pé novamente.
Depois, a aposentadoria. E então a "vaca foi pro brejo, com corda e tudo"!
Mas agora, com o senso do dever cumprido - já estudei, já criei os filhos, já me aposentei - passo as madrugadas na Internet, ou lendo, escrevendo, assistindo filmes. Aliás, hoje em dia está uma maravilha, pois os canais de TV nunca saem do ar!
O marido aceita esse meu jeito de ser. Mas, como não integra o time dos insones, vamos vivendo como naquele filme "O Feitiço de Áquila", uma fantasia que se passa na Europa medieval.
Nela, dois jovens amantes estão condenados à separação ao longo da vida por uma terrível maldição: durante o dia, Isabeau d'Anjou se transforma num falcão, e à noite, é o Capitão Etienne de Navarre que vira um lobo negro.
E a cada final noite, mas ainda antes do alvorecer, eles têm alguns instantes na forma humana para, só então, viverem intensamente seu grande amor.
Assim, os personagens vão vivendo até que um eclipse solar em Áquila vai criar "um dia sem noite e uma noite sem dia", e a maldição será quebrada para sempre!
Espero ansiosa por esse eclipse.
Enquanto isso, sigo dizendo:
"Bom dia a todos! Que eu agora vou dormir!
 
Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen.

domingo, janeiro 15

"21 pandorgas"



Outro dia, caminhando pelo calçadão de Capão da Canoa, vi uma cena que, pelo menos pra mim, era inédita.
E olha que eu já passei dos 50!!!
Nas areias da praia, próximo ao mar, caminhava um homem que empinava 21 pandorgas!
Gente, eu tive que contar!
Não era "meia dúzia", nem "dúzia e meia".
Eram quase duas dúzias de pandorgas de cores e formas diversas que, ligadas a um mesmo fio de nylon, bailavam assanhadas ao vento forte, sob o comando habilidoso daquele vendedor.
A " pandorga guia", que voava soberana no ponto mais alto do "bando", tinha a forma de um morcego. Como aquela projeção de luz que o Batman fazia nos céus de Gotham City, lembra?
Olhando de longe, ficava difícil definir se era o homem que empinava as pandorgas... ou se eram elas que o conduziam por entre os banhistas.
Limitei-me a admirar aquela imagem de longe.
A coisa era tão mágica, que tive medo de me aproximar.
Vai que as pandorgas desabem se eu chegar mais perto!
Quando eu era menina, queria muito uma pandorga. Mas achava que a brincadeira era exclusividade dos meninos. Só realizei meu desejo quando meu filho estava com uns 7 ou 8 anos, e comprei uma pandorga pra ele, digo, pra mim.
As pandorgas, ou "pipas" - - gosto mais da primeira forma, porque "pipa" lembra "barril", que lembra "gordinha", e esse é um assunto "de peso", que eu prefiro não comentar - - eram feitas, antigamente, de papel de seda, ou papel manteiga, e, via de regra, tinham a forma de losango.
Elas eram tão frágeis!
Hoje, podem ser de plástico, seda, nylon... e ter a forma que você quiser. Inclusive, de morcego!
A linha que ligava as pandorgas entre si, e todas elas ao seu hábil condutor, me fez lembrar do "fio prateado" referido por Shirley MacLaine no livro "Dançando na Luz", que li há uns 20 anos, mais ou menos. Seria o fio que liga a alma à matéria, e que todos nós possuímos ... enquanto vivos.
A sinopse do livro num site de vendas é a seguinte:
"Trajetória espiritual de um ser humano que aos cinquenta anos faz um balanço de sua existência como mulher, atriz, mãe, filha, e descobre que suas crenças, opções e conflitos são frutos de sua jornada de crescimento que se iniciou aos quarenta anos.".
Puxa vida! Quero ler esse livro de novo!
A visão daquele homem e suas pandorgas fez meu pensamento "voar", também, para o filme "21 gramas": "Três pessoas, Paul (Sean Penn), Jack (Benicio Del Toro) e Cristina (Naomi Watts), têm seus destinos cruzados em função de um acidente.... Vinte e um gramas é o peso que uma pessoa perde no momento da morte...".
Será que a alma daquele homem que caminhava na praia tem o peso de "21 pandorgas"?
Para finalizar, quero acrescentar o seguinte:
pesquisando sobre "pandorgas" na Internet li que, ainda hoje, no Oriente, elas são usadas com caráter religioso, servindo para espantar os "maus espíritos".
Se isso for verdade, o "Homem das 21 Pandorgas" deve estar bem protegido.
Que assim seja!
Da série "Passei dos 50", por Deborah Johansen